Devorador de mundos Fenrir

Mesclado de cinza e preto com olhos cor de âmbar escuro, mesmo sendo um lobo ele falava a língua dos homens e dos deuses. A pequena fera se chamava Fenrir e era o terceiro filho bastardo de Loki e o mais novo de seus irmãos. O filhote comia carne crua e crescia monstruosamente a cada dia, tão depressa quanto seu orgulho.

Os deuses ficaram amedrontados. Todos menos Tyr, sozinho ele alimentava o grande lobo todos os dias. E a cada dia a fera comia mais que o anterior e ficava cada vez maior, mais forte e feroz.


Odin já havia sonhado e suas visões traziam maus presságios, pois em seus sonhos Fenrir estava presente no fim de tudo e a ultima coisa que ele vira em muitos sonhos sobre o futuro eram os olhos e os grandes dentes afiados do lobo.

Naquela circunstância os deuses se reuniram no conselho de Asgard, nessa reunião decidiram prender Fenrir. Então forjaram algemas e correntes mais fortes que existem e levaram até o lobo.
Mas para convence-lo eles sugeriram um teste de força duvidando que Fenrir conseguiria rompê-las, ele concordou. Envolveram a enorme corrente em torno do lobo e algemaram suas patas enquanto trocavam sorrisos acorrentando o enorme lobo.
Fenrir fez força, contraindo os músculos  das patas, e os elos das correntes arrebentaram como gravetos, ele estufou seu peito cheio de orgulho e uivou para a lua, um uivo de triunfo e alegria.

Ao passar do tempo Fenrir continuava crescendo e os deuses se ocupavam a ferraria, forjando uma nova corrente feita com o metal mais forte que tinham encontrado: ferro da terra misturado com ferro que cairá do céu. Chamaram a corrente de Dromi.
Novamente levaram a corrente até Fenrir, prometeram a ele que se conseguisse escapar de Dromi sua força seria conhecida em todos os mundos, se corrente como essa não conseguir detê-lo, é porque sua força é maior que a de qualquer deus ou gigante.Ouvindo isso o lobo concordou com o novo desafio.
Prenderam o lobo e ele se esticou o fez força, mas a corrente resistiu. Os deuses observaram confiantes de que haviam conseguido prender Fenrir. Então o grande lobo começou a se retorcer, revirar, debater as patas, seus olhos brilhavam, seus dentes reluziam e sua boca espumava, ele rosnava e lutava contra as correntes com toda força. Os deuses se afastaram e o elo rachou e a corrente se quebrou com tanta violência que os pedaços foram lançados longe. Fenrir urrou celebrando sua vitória, porem ele percebeu que os deuses não pareciam alegres com sua conquista.


Não satisfeito o lobo refletiu, e crescia maior e mais faminto a cada dia que passava. Odin preocupado com o ocorrido decidiu recorrer aos anões, convocou um mensageiro e deu-lhe instruções para que os anões forjassem uma corrente como nenhum dos mundos já viu. Skírnir o mensageiro foi até Svartalfheim o mundo dos anões.
Dada a descrição da nova corrente para os anões, chamada Gleipnir. Ela deveria ser uma corrente impossível de ser arrebentada então os anões reuniram seis ingredientes impossíveis:
A saliva de um pássaro, os tendões de um urso, as barbas de uma mulher, o som dos passos de um gato, raízes de uma montanha e o fôlego de um peixe.



Skírnir voltou para Asgard trazendo uma caixa de madeira. Mostrou aos deuses o que os anões forjaram e todos ficaram impressionados, dentro da caixa havia uma longa fita de seda, fina e delicada. Era quase transparente e leve feito uma pluma. 
Os deuses chamaram Fenrir novamente e sua presença monstruosa os intimidou, seu tamanho e poder era colossal. Odin abriu a caixa exibindo Gleipnir ao lobo e o desafiou novamente. Fenrir observou o trapo de seda brilhante e não mostrou interesse dando as costas para ele. Odin explicou que essa fita era mais forte que qualquer corrente e provocou Fenrir afirmando que ele estava com medo.

Uivou e farejou o ar, sentindo cheiro de traição e trapaça anunciou Fenrir. Odin então prometeu que se ele não conseguisse romper uma fita como essa os deuses não terão mais razão para teme-lo e assim o libertando. 
O lobo rosnou não acreditando nas palavras de Odin. E de novo Odin testou o orgulho de Fenrir o chamando de covarde. A grande fera riu, mostrando seus grande dentes afiados, cada um do tamanho de um homem.
Fenrir então concordou em ser amarrado se um dos deuses colocasse a mão na sua boca. Se não houver traição ele abrira a boca quando tiver escapado ou quando tiverem o soltado da fita e a mão permanecerá ilesa.

Nenhum dos deuses se moveu. Então Tyr ergueu a mão direta. Os deuses o amarraram com Gleipnir. Envolveram o enorme lobo amarrando suas pernas e o imobilizando. Depois de preso o lobo se esticou e se debateu, usou toda sua força para arrebentar Gleipnir. Porém quanto mais lutava, mais difícil parecia se soltar, e a cada movimento a fita ficava mais forte.Os deuses sorriam, depois riram e por fim tiveram certeza que a fera não se soltaria e estavam seguros, e assim gargalharam. Apenas Tyr se manteve em silêncio e logo em seguida sentiu a ponta dos dentes de Fenrir contra seu pulso
Então o lobo parou de lutar ficou imóvel e esperou que os deuses o libertassem. Mas os deuses apenas riam mais e mais. Fenrir então olhou para Tyr e o mesmo encarou o lobo com bravura. 
Fenrir arrancou a mão de Tyr enquanto observava os deuses amarrarem Gleipnir a uma pedra tão grande quanto uma montanha, depois pegaram outra rocha e a usavam para martelar a pedra ainda mais fundo na terra, mais fundo que o mais profundo oceano.



''— Odin, seu traidor! — gritou Fenrir. — Se não tivesse mentido, eu teria sido amigo dos deuses.
Mas seu medo o traiu. Vou matar você, pai dos deuses. Vou esperar até o fim de todas as coisas,
então vou devorar o Sol e devorar a Lua. Mas meu maior prazer será matá-lo.''